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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Histórias de busão...

Cada dia que vou ou volto do trabalho de ônibus trago uma (ou duas) história para contar. Resolvi então passar a contá-las!

Hoje estava eu em pé no ônibus, com as costas apoiadas na divisória do lugar do cadeirante (um dos locais mais arejados para uma viagem de 1h30), bem tranquila, contando os minutos que passavam até chegar na Central do Brasil - e põe minutos nisso! - quando de repente entra um baixinho todo comunicativo, com uniforme dos rodoviários e uma sacola na mão:

"Pessoal, estou aqui fazendo minha dupla jornada para ganhar um dinheiro; sou motorista e nas horas vagas camelô (...) 2 amendoins por 1 real e 3 balas de hortelã por um real (...) vocês estão olhando para meu punho, vendo este relógio grande e pensando como ele quer dinheiro com um relógio desses no pulso, mas eu o comprei no camelô, paguei 10 reais, se alguém quiser eu vendo por 20 (...)".

Passou por mim, arrumou uns trocados, e logo depois voltou dizendo que era candidato a deputado estadual, deu seu número e seu nome, disse que já tinha sido candidato a presidente do sindicato dos motoristas de ônibus do Rio, que estava presente na greve de abril quando a categoria conseguiu aumento, plano de saúde etc. e que todos poderiam votar nele se ainda não tivessem candidato.

Fez sua propaganda, vendeu seus doces e foi embora. Nunca tinha visto situação parecida na vida: um candidato a deputado estadual que é motorista de ônibus e camelô nas horas vagas. O mais próximo que cheguei disso foi quando o Eduardo Paes era um mero candidato a deputado e ficava entregando seu santinho nas ruas de Jacarepaguá, muuuito tempo atrás!

Ok, hoje o caminho será longo e a viagem um tanto inusitada, pensei.

Mas, um pouco antes dele entrar no ônibus e acordar a galera, eu estava achando que tinha encostado em um local tranquilo para ficar em pé - afinal, estava com a coluna toda relaxada, apoiada ali. Mas, como a vida é uma aventura, não é que a criança que estava sentada no banco bem atrás resolve passar mal e vomitar?! Jiisuisss!! E logo no início do longo trajeto! Ui ui ui...abri todas as janelas e rezei para o grude não escorrer para os meus pés até que saísse dali.

Só que no meio do caminho, lá veio de novo, outra bomba. Desta vez a reza virou meditação e o negócio foi escorrer mesmo pro meu lado já perto de onde eu tinha que descer.

Até a próxima!
#busaofacts

sábado, 12 de junho de 2010

Descaso com um idoso

Sempre que vou de ônibus para o trabalho já o pego com todos os assentos ocupados, portanto, vou de pé. Em determinada linha, consigo "escolher" o melhor local para a viagem nesta condição incomodar menos. Neste dia eu tinha sido a 3a pessoa a estar em pé, fiquei próxima a catraca pois ali é um lugar onde fica menos entupido quando o ônibus enche demais. E perto de mim, de cor amarela, 5 opções de assento para idosos, obesos, grávidas e pessoas com crianças de colo.

Nos bancos estavam 1 senhor, uma grávida, uma mulher de uns 35 anos, um rapaz e uma moça (já adormecida) de uns 28 anos. Acontece que, uns 4 pontos depois de mim, entrou uma senhora com idade já avançada, pelo menos aparentemente. Ela passou pela roleta e se instalou, em pé, na mesma direção que eu, do outro lado. Olhei para ela, olhei para as pessoas nos assentos, haviam três opções, uma delas dormindo.

As pessoas olharam e fingiram que não viram, fiquei agoniada pensando que mais a frente subiríamos e desceríamos uma serra e aquela senhora ali em pé não seria uma boa opção. Até que o motorista, sem sair do ponto onde a pegou, olhou para trás e começou a falar: "Alguém aí do assento de cor amarela por favor dê o lugar para esta senhora que está em pé?" Ele repetiu isso três vezes, e na 4a acrescentou que não iria subir a serra com aquela senhora em pé porque ela correria o risco de cair e então a viagem seria interrompida porque teríamos que socorrê-la. Até que alguém gritou "alow vocês do assento amarelo!!", e a moça adormecida acordou, entendeu a situação e deu o lugar para a senhora.

O rapaz e a mulher fingiram que não ouviram ou que não era com eles.

Aquela situação me deixou meio revoltada, porque NINGUÉM se levantou e deu o lugar para a senhora. NINGUÉM!! Traduzo isso como desrespeito e egoísmo, no mínimo. Ninguém pensa que aquela senhora poderia ser sua mãe ou sua avó? Que um dia poderá estar ali, em seu lugar, vivendo a mesma situação, de tamanho descaso?

Sinceramente.....

Perdi as contas da quantidade de vezes que eu, muito cansada, com dores nas pernas, dei meu lugar para um(a) senhor(a) se sentar. Porque julgo que, mesmo com dores e cansada, tenho ainda mais força para me segurar caso aconteça algum acidente ou uma freada brusca. E que meu corpo pode se recuperar com facilidade, diferente do de uma pessoa de idade. Enfim...

Fica aqui o desabafo de uma indignação cotidiana, que vejo, infelizmente, acontecer com frequencia em nossa sociedade. As pessoas só se esquecem que um dia poderá acontecer com elas....

obs.: mérito para o motorista nesta situação, que agiu como todos deveriam!



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